terça-feira, 5 de julho de 2011

Confidências



Esta noite tenho um encontro com uma grande amiga. Companheira de vida, de noites mal dormidas, de insónias, de noites frias ou abafadas e húmidas, de leituras (pela noite dentro), de noites de amor e de telefonemas intermináveis...
Nunca se queixa das minhas repetições, das minhas hesitações, das minhas lágrimas nem dos meus queixumes.
Escuta-me e aceita-me tal como sou.
Esta noite preciso desabafar, minha querida almofada.
Preciso partilhar esta tristeza pegajosa que amanheceu comigo.
Peço-te que leves este peso que me verga e quase me deita ao chão.
Conto com o teu apoio e suporte (na falta de um ombro ou de um abraço).
Boa noite e bons sonhos.

Acordei assim...


O despertador tocou.
Hoje é dia de trabalho?!
Não me apetece...

O céu cinzento, nublado, convida-me a voltar para os lençois.
O corpo pede : volta, volta!

Há algum tempo que não acordava assim... sem vontade, 
envolta nesta inexplicável tristeza.

O que me aconteceu esta noite durante o sono?
Terei tido um pesadelo?
O quê?!
Porquê?

Tenho trabalho a cumprir e dormir mais não vai resolver nada.
Vá lá, Paulinha, não se passa nada.  Não sejas tonta, mexe contigo!
Toma um duche que isso passa. Vai!

Fui!

Esperava-me uma triste e trágica notícia no trabalho:
O Francisco P. faleceu esta noite, aos 55 anos, a fugir do incêndio na sua casa, saltou...
Saltou do 1º andar... bateu no aparelho de ar condicionado e... !

Tão difícil de acreditar e de aceitar.

Hoje acordei assim... com o mundo em cima dos  ombros e
esta tristeza pegajosa que não me larga.

A vida é demasiado curta para adiar os sonhos.
A vida é demasiado curta para desistir dos sonhos.

Foto@Google

domingo, 3 de julho de 2011

Da minha janela






Da minha janela,
virada para o mar,
contemplo o céu.
Que coisa linda!
Uma tela viva que se renova,
se transforma a cada momento.
Ora de um azul único,
ora salpicada de algodão,
outras de uma tristeza cinzenta...
Logo, logo vem o sol espreguiçar-se, luminoso,
pincelando a tela de brilho.
O vento espalha as cores,
limpa a tela...
e renova-se a visão.
Da minha janela... contemplo...

Nota:
dedico estas palavras e imagens ao meu querido aviador que amanhã cruzará este céu açoriano.
Tudo de bom filhinho. Voa, Voa... neste azul que nos abraça.

peludinha

ALEGRIA COR CALOR - A casa vestida de flor








RECOMEÇA de Miguel Torga


Se puderes
sem angústia
e sem pressa.
E os passos que deres
nesse caminho duro
do futuro,
dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
o logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga


Nota:
Este poema foi publicado num blogue  que visito com regularidade de uma amiga de um  amigo meu (parece a frase da canção do Roberto Carlos), não a conheço mas admiro-a pelo que escreve e pelas suas escolhas. Não resisti a trazer este para o meu cantinho. Obrigada Silvia.
Ah... a foto é minha,  uma treta em termos fotográficos mas eu que sou tonta... sou assim ... gosto das coisas simples e insignificantes e esta florzinha, de que não sei o nome, chamou-me, tocou-me o coração: curvada, frágil, singela, luta, no chão, no meio das cascas e das folhas, para alcançar o seu espaço, o seu pedaço de sol e de orvalho... a vida.

sábado, 2 de julho de 2011

DENTRO



Tudo acontece dentro de mim:

Escolhas,  espera...

 
O tempo,
como um filtro,
deixa dentro apenas o que vale a pena.


Foto @Google